sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O Fim de Fita-Verde


Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.


Podia ser qualquer dia, mas que nada. Não havia lenhadores, nem polícia civil ou militar. Todos em batalha, nos arredores do palácio, sob olhares esbugalhados de quem devia estar prefeito, mas sonhava com a faixa verde-amarela.

Foi aí que bandidos e lobos tiraram proveito. Antes mesmo de ver vovozinha, a sombra da menina sumiu no pó. Sua fita verde imaginada caiu, e não foi encontrada nunca mais. Igualzinho para sempre, só que tudo ao contrário. Melhor nem contar.

História triste, que cala quem escuta. Nada de que nem e eu então. Só soluço e lágrima.


Baseado em Fita Verde no Cabelo, de Guimarães Rosa
Confira também: Polícia Civil x Militar e quem devia estar prefeito, mas sonha com a faixa verde-amarela
E mais: Tosca Fita

8 comentários:

SADY FOLCH DE CARDONA disse...

Que capricho hein Renato. Nada como a maturidade.

Abraço
Sady

Bruno Cobbi disse...

Renato,

A a menina da fita verde está em posse do lobo, trancafiada dentro da própria casa da vovó que está sitiada pela polícia.

Já fazem dois dias.

Nanete Neves disse...

Bela paráfrase, Renato. Adorei a ironia dos "olhos embugalhados de quem devia estar prefeito, mas sonhava com a faixa verde-amarela". Cai na real, Chapéuzinho!

Pati Cytrynowicz disse...

Adorei, muito bem-humorado! É a sua cara. Bjs.

Eduardo disse...

Os lobos fantasiados de ovelha estão a solta. Cuidado menininhas

Cristiane disse...

Estou absorvendo ainda... mas adorei. Será que precisamos entender e interpretar tudo tudo? Texto curto, gostoso, certeiro sem querer ser certo.
Parabéns!
Cris Rogerio

Olga Vallejo disse...

Como você consegue em tão poucas linhas falar de tanto e com tamanho bom humor e ironia refinada? Parabéns, Renato!

João Cunha disse...

Muito inteligente... sensato e sensível, na medida certa. Mais um do gênero Jornalístico-poético, que você cria quando mistura cotidiano e texto literário.

Abraços, João F. A. Cunha